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quarta-feira, dezembro 31, 2008

ODE À PAZ

Pela verdade, pelo riso, pela luz, pela beleza,
Pelas aves que voam no olhar de uma criança,
Pela limpeza do vento, pelos actos de pureza,
Pela alegria, pelo vinho, pela música, pela dança,
pela branda melodia do rumor dos regatos,
Pelo fulgor do estio, pelo azul do claro dia,
Pelas flores que esmaltam os campos, pelo sossego,
dos pastos,
Pela exactidão das rosas, pela Sabedoria,
Pelas pérolas que gotejam dos olhos dos amantes,
Pelos prodígios que são verdadeiros nos sonhos,
Pelo amor, pela liberdade, pelas coisas radiantes,
Pelos aromas maduros de suaves Outonos,
Pela futura manhã dos grandes transparentes,
Pelas entranhas maternas e fecundas da terra,
Pelas lágrimas das mães a quem nuvens sangrentas
Arrebatam os filhos para a torpeza da guerra,
Eu te conjuro ó paz, eu te invoco ó benigna,
Ó Santa, ó talismã contra a indústria feroz,
Com tuas mãos que abatem as bandeiras da ira,
Com o teu esconjuro da bomba e do algoz,
Abre as portas da História,
deixa passar a Vida!

Natália Correia

A Vida e os votos de Ano Novo

Sento-me ao PC para escrever. Já estive a conviver com amigos que convidei a jantar connosco e foi mesmo bom.Quatro gerações se encontraram e a sintonia foi a mesma.Obrigada,porque nos proporcionaram momentos de pura Amizade, partilha, bem estar, na coerência dos "um" aos "sessenta" anos. Dia 31 de Dezembro de 2008.Fomos ao hospital ver minha sogra que, no dia de Natal à noite, fez um AVC (trombose).Mais uma vez me custou ver uma MÃE de quatorze filhos, MÃE a tempo inteiro, dependente de tubos, de fármacos, de cuidados alheios.Quando chegámos disse-lhe "Mãe, é a Tuka e a Jordana".Comoveu-me que a sua respiração tão difícil tivesse feito uma pausa e comoveu-me ainda que a sua respiração tão impossível se abrandasse aos nossos afagos.Neste alvor de ano novo o meu preito a quem se deu, a quem se dá e a quem se dará aos seus, aos outros.àquelas que levam a Vida tão difícil na sua ciência de Mães.
Para todos um Ano de 2009 mesmo BOM e que possamos aprender nos pequenos gestos a afectividade sincera e saudável, o dom da amizade.

segunda-feira, dezembro 29, 2008

Pensamento do dia

Há pessoas tão aborrecidas que nos fazem perder um dia em cinco minutos
Jules Rernard

PASSEIO NA SOLIDÃO

Passeio na solidão de mão dada com o meu fantasma. A cor é a da noite onde o rasto de pureza prateada da lua dá vida às gotas esparsas, finas, estremecidas, brilhantes. O vento do desassossego abana-me por dentro num desespero manso que o fantasma não teme. Aperto-lhe mais a mão e ele sorri-me numa perturbação inesperada.
Sentamo-nos juntos, íntimos de medos e solidariedades. A proximidade física é um conforto.
Procuro os teus olhos, outrora penetrantes de calor, e encontro o rosto indecifrável do tempo.
Porque tem de ser assim? Como pode a solidão usar sentimentos, reconvertê-los, reincarná-los, ao ponto de parar o universo?
Na lentidão recortada solto-te a mão e deixo-te ir gritando que fiques, olhando-te, na despedida do reencontro.

População Portuguesa não encolhia desde a pneumónica

Os dados são do Instituto Nacional de Estatística e reportam-se a 2007. Nesse ano registou-se um saldo natural negativo - morreram mais 1,5% de portugueses que no ano anyterior, sem que o número dos que vieram ao mundo, durante o mesmo período, conseguisse contrabalançar a perda. Mas o que torna mais curiosa esta informação do INE é que se trata da primeira vez que ocorre um saldo natural negativo desde 1918, quando começou a pneumónica, também chamada de gripe espanhola.
In "Visão"

domingo, dezembro 28, 2008

Geração Vinil III - Whitney Houston & Natalie Cole

Valores versus Educação

É vulgar de Lineu falar-se nestas quadras festivas dos Valores das pessoas e das coisas e isto, sobretudo, acerca do "Espírito do Natal".

Lembro que li em tempos numa entrevista a um psicólogo e sobre o tema dos valores e da educação, em que ele referia que as crianças que perderam o afecto dos familiares na 1ª Infância (1-5 anos), facilmente recuperariam dessa carência, com influências e afectos de terceiros. Já na 2ª infância, pré adolescência e adolescência, as crianças que "em casa", nos internatos ou instituições são omissas dessa afectividade parental, reservam para a sua vida de adulto traumas que se traduzem em agressividade ou em gestos de retracção.

Dizia ainda que, da década de 60 para cá, havia uma alteração na evolução familiar, com as Mães a deixar aos Avós o cargo educacional, pela importância que a necessidade do trabalho feminino tinha no orçamento familiar. Na década de 80, com a massificação da escolaridade a partir da 1ª infância e a colocação das crianças em Amas, onde todos são iguais e tudo é de todos, sem privacidade, não admiraria que a evolução dessas crianças fosse mais emocional nas suas atitudes.

Então, e se o facto é provado, talvez que se apostasse mais numa boa educação de berço – que nada tem a ver com Instrução -, talvez se pudesse minimizar as "cenas" que vemos em centros comerciais e/ou restaurantes com crianças, ou nas relações sociais com os que já hoje são adultos.

É necessário um grande esforço, mas todos somos agentes educacionais porque vivemos em sociedade, e esse esforço também nos pertence. Quem sabe se o "Espírito de Natal" seria mais bem aplicado?

quarta-feira, dezembro 24, 2008

O significado do Natal


O Natal é a data em que o Mundo Cristão festeja, a 25 de Dezembro, o nascimento de Jesus.As primeiras comunidades festejavam o Natal a 22 de Maio, mas a Igreja primitiva não se preocupou muito com a questão temporal.O próprio texto do Evangelho pode levar a acreditar que Jesus não nasceu no Inverno, pois refere que os pastores andavam pelos campos com os animais, algo improvável na Galileia da época, cujos campos se cobriam de neve durante o período mais frio do ano.
A data foi escolhida por causa do solstício de inverno, em que se celebravam as Saturnálias dos romanos e as festas célticas dos germânicos, festividades pagãs.Foi o Papa Julio I que fixou a data de 25 de dezembro, cristianizando deste modo as festividades. Só no século IV d.c. é que se começou a festejar o Nascimento de Jesus.Algumas zonas optaram por festejar o acontecimento em 6 de Janeiro, contudo, gradualmente esta data foi sendo associada à chegada dos Reis Magos(Epifania) e não ao nascimento de Jesus.
O Natal é, assim, dedicado pelos cristãos a Cristo, que é o verdadeiro Sol de Justiça (Mateus 17,2; Apocalipse 1,16), e transformou-se numa das festividades centrais da Igreja, equiparada desde cedo à Páscoa.
Apesar de ser uma festa cristã, o Natal, com o passar do tempo, converteu-se numa festa familiar com tradições pagãs, em parte germânicas e em parte romanas. E muito consumistas!
Sob influência franciscana, espalhou-se, a partir de 1233, o costume de, em toda a cristandade, se construírem Presépios, já que estes reconstituíam a cena do nascimento de Jesus. A árvore de Natal surge no século XVI, sendo enfeitada com luzes símbolo de Cristo, Luz do Mundo. Uma outra tradição de Natal é a troca de presentes, que são dados pelo Pai Natal ou pelo Menino Jesus, dependendo da tradição de cada país.
Apesar de todas estas tradições serem importantes (o Natal já nem pareceria Natal se não as cumpríssemos), a verdade é que não nos podemos esquecer que o verdadeiro significado de Natal prende-se com o nascimento de Cristo, que veio ao Mundo com um único propósito: o discurso do Amor.

terça-feira, dezembro 23, 2008

BOAS FESTAS um ANO MUITO FELIZ E PRÓSPERO

Tal como o rapazinho do tambor deste belo cântico, que cada um dê o seu melhor.Abraço.

Celebração de Natal



Presépio em osso de camelo, origem Egipto, oferta do meu filho Nuno, Natal 2008

A luz que há dois mil anos raiou no mundo
Não se reduziu à simples forma de criança rosada,
Em noite de geada,
Sob olhar amoroso de Mãe.
Não foi a correria apressada de pastores e reis
Que deu o nome a Belém !
Naquele humílimo estábulo nasceu um Deus
E da forma gloriosa de vida,
À vida de Nazareno ignorada,
À mensagem chocante do Amor,
Amor perene, há dois mil anos doado,
Iniciado naquele humílimo estábulo,
Até à Cruz,
Nasceu para todos nós, Jesus.



segunda-feira, dezembro 22, 2008

RENAS


Os mamíferos que, no imaginário natalício, puxam o trenó do Pai Natal. O autor norte-americano Clement Moore, no seu poema Visita de S.Nicolau, foi o criador desta fantasia.São oito as renas originais do Pai Natal: Dasher, Dancer, Prancer, Vixen, Comet, Cupid, Blitzen e Donder.A estas juntou-se a rena Rudolpoh, de nariz vermelho, depois de uma música célebre de Gene Autry.

domingo, dezembro 21, 2008

SÃO NICOLAU


Este bispo de Mira, actualmente na Turquia, deu origem à imagem actual do Pai Natal.

S.Nicolau, no século IV, foi perseguido e preso pelos romanos devido à sua ideologia cristã. Os seus antecedentes de mártir levaram-no a ajudar os pobres e os desfavorecidos, a quem oferecia dinheiro, comida e milagres. Daí a associação da sua figura à de Santa Claus, o Pai Natal. É o santo padroeiro da Rússia, de Amesterdão, de Bari, dos marinheiros, das criançãs e...dos estudantes.

SINOS


Outro ritual herdado das festas pagãs.(E ainda dizem que os pagãos não têm coisas boas....)

Os sinos eram usados pelos pagãos pré-cristãos para afastar os espíritos e faziam parte das festividades de inverno. Hoje, servem para chamar os crentes para a Missa do Galo (e não só), enfeitam presentes e as portas de casa, sendo elemento decorativo presencial do Natal.

VELAS


Conta uma lenda que um velho sapateiro alemão colocava sempre uma vela à janela, para iluminar o caminho dos viajantes solitários.Veio a guerra e a cidade empobreceu.

Na véspera de Natal, todos imitaram o sapateiro e colocaram uma vela à janela. Nessa noite chegou a notícia de que a guerra tinha acabado.

A partir daí, as velas passaram a marcar a presença em todas as noites de Natal. Contudo, é mais provável que o uso das velas esteja relacionado com a luminosidade sugerida pelo nascimento de Cristo.

sábado, dezembro 20, 2008

LUTAR

"Há homens que lutam um dia e são bons; há outros que lutam um ano e são melhores; há aqueles que lutam muitos anos e são muito bons;porém há os que lutam toda a Vida - estes são os imprescindíveis"
Bertold Brecht

sexta-feira, dezembro 19, 2008

Canção da Árvore de Natal

A Árvore de Natal


É um pinheiro ou um abeto especialmente iluminado e decorado para a celebração Natalícia.

A tradição da Árvore é anterior ao próprio Natal.Em Dezembro, os Romanos enfeitavam as árvores em honra de Saturno, deus da agricultura.

Os egípcios levavam um ramo de palmeira para casa no dia mais curto do ano.Os celtas tinham o costume de decorar velhos carvalhos com maças douradas. No século VII,na Alemanha, S.Bonifácio passou a usar o perfil triangular dos abetos como símbolo sa Santíssima Trindade.

Diz-se que foi Martinho Lutero(1483-1546), autor da reforma protestante, que após um passeio pela floresta, numa noite de inverno de céu limpo e estrelas brilhantes, trouxe essa imagem à família sob a forma de Árvore de Natal, com uma estrela brilhante no topo e decorada com velas.Esta era a sua visão do Céu na altura do Nascimento de Jesus.

O hábito massificou-se na Europa Central, mas só chegou a outros países depois de ter sido adoptado pela família real inglesa no século XIX e pela Csa Branca no sécula XX.

NATAL

Estremeci, todos os cinco sentidos estremeceram e, pior do que isso, estremeceu também o meu sexto sentido num espasmo gélido que me deixou queda, hirta. Respirei fundo e logo uma corrente de ar fria percorreu o meu sistema respiratório; nem ousei abrir a boca temendo não voltar a fechá-la!
Abri os olhos - oh impossível - uma luz crua de um fluorescente eléctrico tão à moda feriu-me a visão, aquecendo-a um pouco. Apenas volvi o olhar apercebi-me dos cinzentos cambiantes da paisagem. A noite era cinza escura, a linha do horizonte cinza mescla e o chão era cinza de sombras sobre o branco. Eram cinzentas as formas tapadas das árvores e arbustos que os meus olhos, já mais habituados, ousavam apalpar. Afinal não passava de uma fria noite de Dezembro com paisagem de Natal a preto e branco.
Recuperei do espanto e fui recuperando a vida: senti o cheiro húmido e frio, leve e puro, de um ar estranhamente rarefeito. Conseguia ouvir múrmurios de brisas, adivinhava ventos nas montanhas, colecções de estrelas no céu. Abstive-me a supôr coisa nenhuma sabendo que o que estava a acontecer era fascínio e magia. Decidi esperar e, esperando, fui conhecendo de cor aquelas formas. Um magnetismo me prendia como a calma dos sem destino até que ouvi um som arrastado do além que, de vez, me arrancou ao torpôr.
O que pensei ser um pequeno avião, no céu, sob os meus olhos tomou forma. Disparam a adrenalina e pulsações, de puro medo. Esfrego os olhos e de pouco resulta! A figura de um carro de renas com Pai Natal incluído tomava a forma que eu não acreditava. Dei um passo atrás abrindo terreiro ao porto necessário de aterragem.
Sem travagens nem chios, sem campainhas, sininhos, apercebi-me da imobilidade de um carro em madeira nobre e escura, de uma figura trajando o vermelho da tradição e, vejam bem, quatro alvíssimas renas de olhos negros bafejavam, pesada, cinzentamente.
A figura mexeu-se, com lentidão tropical, desceu do mal aparelhado trenó, sacudiu a cabeça e virou-se, encarando-me. "Shoking" diria Byron! A palavra que me ocorreu foi, vernaculamente, mais complexa se bem que mais usual e corriqueira. Temendo perder a razão decidi-me a olhar, de baixo para cima.
Dois pés grandinhos calçavam sandálias de largas tiras de couro querendo ser, talvez, um novo modelo de descartáveis. As calças, não admira, eram vermelhas como o era o casacão e a T-Shirt que o vestiam. As mãos, enormes, deixaram cair umas luvas imaculadas e surgiam, palmas brancas ao céu, unhas estranhamente rosadas e costas nervosas e negras. Daí, saltou-me o olhar para a dentadura dentifricamente branca e matematicamente correcta como eu jamais vira. O branco dos olhos era branco e tudo o mais era cinzento e castanho, quase negro.
A fotografia da minha estupidez desarmada deve tê-lo divertido e a gargalhada que soltou provocou, em redor, um tremor de terra.
Encomendei-me; morrer é assim!
Fechei os olhos, à espera, mas no espaço de segundos senti conforto, uma temperatura amena soltou-me os sentidos, a voz, devolveu-me inteira à terra dos inteligentes.
A paisagem derretera, cobria-se de côres quentes, verdes e amarelos e o azul do céu era imenso, intenso.
O Pai Natal parecia agora um atleta dos NBA, de T-Shirt e calções, desapertando os sacos de carga e espalhando-a pelo chão. Coisitas de plástico coloridas, pequenos pedaços de panos berrantes, bolas de ping-pong, berlindes, doces, pulseiras e colares eram o seu tesouro.
Esperei qualquer palavra, qualquer gesto, mas só o sorriso me respondia e contagiava. Entrou em mim, encheu-me a alma e compreendi que, ao menos uma vez neste ano acontecia a Justiça. As árvores de Natal ficariam acesas de luzes, de bolas e espiguilhas, anjos e anjinhas e todo aquele calçado polido, novo, determinadamente colocado e ...vazio. Olhei-o uma vez mais, tentei imaginar a barba branca, a farta cabeleira. Impossível!,Gorro algum se apegaria àquela carapinha transpirada, na testa esfíngica.
Já vejo mãozitas àgeis, adejando, olhos brilhantes - hoje de alegria - a acolherem a diferença. Momentos suficientes, bastantes, para esquecer a dôr, a fome, os sem família, a corrida e a fuga, as balas, o medo, a razão para não viver.
Tão pouco e dispensável para uns, tão imensamente necessário para outros
E embrulhando as mil e uma coisitas espalhadas pelo chão na beleza do carinho, da presença, do Amor, assim se fez um Natal negro e quente, humano e inteligente.
Desde este dia decidi que, para mim, nunca mais haveria Natal Branco.








quinta-feira, dezembro 18, 2008

Os “papões”

Nunca tive medo do "papão". Lembro-me até, em pequena, de adormecer ao som terno do "ó-ó-papão vai embora, de cima desse telhado...". Este mesmo canto, terno e cuidado, dei aos meus filhos.
Mas hoje já não se usa e proliferam "papões" graúdos que se avantesmam em orgias, de importâncias, véniazedas e onde se colam numa disposição de permanência.
E é vê-los, fato e gravata, senão vestidos de marca, e com eles as loiras eternas, pavoneando-se uns e outros, em círculos tontalhados. Vede como eles se amam! Findos os meetings, as cerimónias, inaugurações e beberetes, dispersam em pequenos grupos. Tira-se a gravata, para o à-vontade e o polimento recolhe ao bolso direito do casaco. Papam-se mais uns copos com língua maliciosa. Uns vão, outros ficam, inchados, vermelhos, contentes.
Nada fizeram, nada disseram.
São os papões da Madeira Nova.

Mesmo a propósito!


"Acredito que as Instituições bancárias são mais perigosas para as nossas liberdades, do que o levantamento dos exércitos. Se o Povo Americano alguma vez permitir que Bancos privados controlem a emissão da sua moeda, primeiro pela inflação, depois pela deflação, os bancos e as empresas que crescerão à roda dos bancos, despojarão o povo de toda a propriedade até os seus filhos acordarem sem abrigo no Continente que os seus pais conquistaram"


Thomas Jefferson, 1802

quarta-feira, dezembro 17, 2008

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Começa a ser feita justiça

Um acto de justiça! Só foi pena não ter sido um pé-de-chinelo-malcheiroso.Repórter herói! "Espécie de cão" ou melhor, "é o beijo do adeus,espécie de cão".No contexto dos Iraquianos cão é o pior que há, é mesmo abaixo de cão, e o acto de atirar sapatos é uma demonstração de um imenso desprezo. Creio eu que este jornalista tem "os ditos" no sítio e perfil de um primeiro ministro a sério.Bem hajas, irmão muçulmano e que Alá te proteja e conceda muitas virgens no teu céu...!



domingo, dezembro 14, 2008

MISSAS DO PARTO


Na Madeira chamam-se "Missas do Parto" às novenas do Natal. É uma tradição que não é única da Ilha pois encontramo-la em diversas freguesias do Norte de Portugal. Já no século XVIII e XIX apareceram no Minho publicações de Novenas ao Menino Jesus, como preparação para o Nascimento de Cristo.Têm inicio a 17 de Dezembro, data em que a Igreja festeja Nossa Senhora do"O" ou seja, a expectação de Nossa Senhora.
Tenta-se, em algumas paróquias da Ilha, recuperar as tradições antigas no acompanhamento musical, já que os Cânticos, na sua maioria, permanecem os mesmos.
No antigamente, era o búzio soprado que dava o sinal de chamamento, para além dos sinos, e as pessoas acorriam com reco-recos, brinquinhos, cavaquinhos e foguetes, a caminho da Igreja. Hoje há estradas, carros, despertadores também. Convém lembrar que estas Celebrações acontecem a partir das cinco da manhã. Mas é na letra dos cânticos, na sua melopeia musical, ora viva ora lenta, que se encontra o Louvor, a Evocação, a Fé e a Alegria precedente do Natal. Vejam só estas quadras:

Vinde Espírito Divino/Lá das celestes alturas/A chama da vossa Graça/acendei nas criaturas


Assim seja assim se faça/Neste século e no futuro/Para que nos alegremos)Em prazer e gozo puro.


ou então:


Senhora Virgem do Parto/Que nesse altar estais/Atendei-nos carinhosa/Os filhos que tanto amais.


Virgem do Parto Oh Maria, Senhora da Conceição/Dai-nos as festas felizes/A Paz e a Salvação


E, depois da Missa, é o convívio cá fora, em alguns sítios com um "escalda bicos" (canja), vinho, pão de casa, bolos e licores, dependendo se houve ou não Festeiro, ou seja, o pagador da promessa e das despesas. Porque os tempos também aqui são de crise, é normal e salutar que se recorra à oferta das populações, pelos diversos sítios, celebrando depois as Missas nas intenções dos oferentes de cada lugar.
Se vierem à Madeira nesta altura, não percam, tentem participar numa Missa do Parto – vão de ganho!

sábado, dezembro 13, 2008

Geração do Vinil II - Johnny Mathis "Wonderfull"

O TEMPO - Mário Quintana







O tempo
A vida é o dever que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são seis horas!
Quando de vê, já é sexta-feira!
Quando se vê, já é natal...
Quando se vê, já terminou o ano...
Quando se vê perdemos o amor da nossa vida.
Quando se vê passaram 50 anos!
Agora é tarde demais para ser reprovado...
Se me fosse dado um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.
Seguiria sempre em frente e iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas...
Seguraria o amor que está a minha frente e diria que eu o amo...
E tem mais: não deixe de fazer algo de que gosta devido à falta de tempo.
Não deixe de ter pessoas ao seu lado por puro medo de ser feliz.
A única falta que terá será a desse tempo que, infelizmente, nunca mais voltará.


quarta-feira, dezembro 10, 2008

Dia Internacional dos Direitos Humanos


Mais um dia para celebrar, mais um dia que é esquecido em todos os Continentes.

Faz parte do dia -a-dia de cada um de nós o conhecimento da violação dos direitos humanos; em casa, nos vizinhos, na terra em que vivemos, nas notícias do Mundo...

Mais uma vez é necessário ser solidário e denunciar.

Todos temos direitos (e deveres) iguais.Porquê então um fosso tão grande? Porque o hemisfério norte do globo deita para o lixo o que matava a fome no hemisfério sul? Onde está a Humanidade?

A Estrela de Belém

Estrela de Belém captada pelo Telescópio Chandra


De acordo com Dave Reneke, a ‘Estrela de Natal’ que, segundo a Bíblia, guiou os Três Reis Magos até a Manjedoura, em Belém, não só apareceu no céu seis meses mais cedo, como também dois anos antes do que se pensava.
Estudos anteriores já tinham levantado a hipótese de que o nascimento teria ocorrido entre os anos III a.C e I d.C.
O astrónomo explica que a conclusão é fruto do mapeamento dos corpos celestes da época em que Jesus nasceu. O rastreamento foi possível a partir de um software que permite rever o posicionamento de estrelas e planetas há milhares de anos.
Baseando-se no Evangelho de Mateus, que descreve a aparição de uma estrela como sinal do nascimento de Jesus, Reneke identificou a conjunção dos planetas Vénus e Júpiter, que teriam emitido uma forte luz que poderia ter sido confundida com uma estrela.
«Vénus e Júpiter chegaram muito perto um do outro no ano II a.C, reflectindo muita luz. Não podemos dizer com certeza que esta era a estrela de Natal descrita na Bíblia, mas até agora esta é a explicação mais plausível que já vi sobre isso» , disse Reneke.
«A astronomia é uma ciência tão precisa, que podemos apontar exactamente onde os planetas estavam. E há uma grande probabilidade que esta conjunção possa ser a estrela descrita por Mateus no Evangelho» .
O australiano diz que a pesquisa não é uma tentativa de contestar a religião.

Semanário "O Sol" 10 de Dezembro 2008
ESRELA DE BELÉM-Mateus, no seu Evangelho, diz que é a Estrela que anunciou o nascimento e que guiou os três Magos, de Jerusalém ao estábulo onde Jesus terá nascido, em Belém.Ao longo da História, muitos defenderam que os Magos do Oriente terão visto um cometa, uma supernova ou um alinhamento de planetas.Outros defendem que Mateus se referiria a uma estrela metafísica.Certo é que ainda hoje a estrela de Belém costuma posicionar-se no topo das árvores de Natal e, em geral,é uma estrela com rasto, como um cometa...
Mas sabe-se que um cometa apareceu sobre o Oriente Médio no ano 11 A.C., brilhando com intensidade, a 31 graus e 30 de latitude norte celeste: a latitude exacta de Belém.

Bom, para mim, que sou Católica apostólica e nem sempre romana, o que interessa é que Jesus nasceu!
A VISÃO DAS ESTRELAS ENSINA-NOS QUE SOMENTE EXISTEM OS LIMITES QUE IMPOMOS A NÓS MESMOS

terça-feira, dezembro 09, 2008

Dia Internacional contra a CORRUPÇÃO


Que comentário?
Denunciemos, ao menos, o que acontece e se pratica ante os nossos olhos. Já é um "passo".
Nada fazer, é ser conivente.

segunda-feira, dezembro 08, 2008

OPINIÃO


08 de Dezembro – O Mundo Católico celebra a Festa da Imaculada Conceição. Na minha opinião, modesta é claro, esta celebração dá significado maior ao dia de Natal, o nascimento de Jesus. Começamos a ter a noção de que já faltam poucos dias para o Natal e que o tempo passa a correr. Na Ilha da Madeira, como em outros pontos deste Portugal, começam os preparativos para o Dia de Festa.

Pois, por isso é que o meu Benfica veio trazer SEIS bolos de mel ao Marítimo...

06 de Dezembro – O Mundo Muçulmano celebra a sua peregrinação à cidade Santa de Meca – o HACH. Um milhão e meio já lá estão. Faz parte da Peregrinação a subida ao Monte Arafat onde Moisés, há apenas 14 séculos pronunciou o seu último sermão.


08 de Dezembro – Mais um atentado no Paquistão, visando os contentores da Nato prontinhos para seguirem para o Afegnanistão.É só mais um, outros virão. Estima-se que nunca houve tantos Talibãs naquele país, sete anos depois de os Estados Unidos terem lá metido a pata na poça, derrubando o governo. Antes eram pobres, tinham trabalho, casa, rebanhos, a sua cultura e modo próprio de viver. Os yanques levaram destruição, miséria, a pobreza de nada ter. O pastoreio deu lugar aos campos de papoila, ao comércio do ópio, riqueza mais fácil de boa produção e clientes certos…


Oxalá B. Obama tenha outra visão, acabe com a pena de morte nos EUA, feche Guantanamo, deixe o Iraque (e que apareçam agora os empresários que Durão Barroso dizia haver para a reconstrução da "Noiva do Oriente", Bagdad, e não só a noiva como os familiares e convivas, e deixe o Afegnanistão entregue a si próprio.


É preciso cautela, prudência mesmo nestas relações que nunca foram relações, internacionais. A História é cíclica, os árabes já dominaram a Europa, África, etc.


Pensem só que se a Turquia entrar na União Europeia o prato da balança muçulmano passará a ser o mais pesado. E os "Averróis" e "Avicenas" hoje já não abundam nesses mundos.


E para terminar não posso deixar de opinar sobre o Cristiano Ronaldo. Depois da bota de ouro, a bola de ouro. Penso que almeja o "PÉNIS DE OURO" (como já li num jornal), continuando a trocar de mulher como quem troca de cuecas. Agora com uma ucraniana casada. Penso que este bate-de-bola que muitos consideram de fenomenal, deveria ser entregue, em vida, para estudos nas maiores Universidades. Porquê? Com certeza descobririam o primeiro primata – e madeirense - a ter os neurónios todos nos pés.

domingo, dezembro 07, 2008

Alçada Baptista


Faleceu hoje Alçada Baptista. Todos o consideram UM HOMEM DE AFECTOS com uma escrita de afectos. Mais um Português que marcou o século XX e este começo do século XXI pela frontalidade, pela atitude de não ter medo de ser correcto. Na mediocridade corruptiva que abunda, qualquer vulto desaparecido faz falta, empobrece Portugal.

sábado, dezembro 06, 2008

GERAÇÃO DO VINIL

Françoise Hardy

A partir de hoje vou brindar-vos boa música da Geração do Vinil. A boa música da minha e da vossa Geração, pois claro. Aceito sugestões.Abraço.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

CAMINHO


A vantagem de viver numa ilha é, de um ou de outro ângulo, dominar o mar. Ele jaz, imóvel na distância, parado na claridade de um sol dominador onde brincam sombras meigas de nuvens e aragens de ventos.
O sentimento de posse enche-me, transborda numa dor de alma ainda em construção. Se aqui estivesses medirias o caminho que vai dos teus sonhos aos meus!
Mas não numa ilha, vives num penhasco rodeado de nevoeiros em que eu não estou, onde sons indecifraveis e azuis aguados batem, gemem, imploram.
Eu olho a claridade e tu, o breu da noite. Temes a perda de barcos que eu vejo passar libertos, salvos. Teces na espuma toalhas de renda branca enquanto eu estendo tapetes urdidos de verdes e castanhos no mais puro odor, o da terra molhada.
E este, só este, é o caminho que vai dos meus sonhos aos teus!




quarta-feira, dezembro 03, 2008

A IGNORÂNCIA




"A cultura da ignorância é o que de mais pobre podemos alojar em nós."






"Quem quer que se disponha a discutir o que quer que seja deveria começar dizendo o que não está em discussão.Além de declarar o que se quer provar,é preciso declarar o que não se quer provar" (Chesterton)




Vem-me à idéia a verborreia quotidiana na Assembleia Regional, escola de mau exemplo. Pouco trabalho, muita ignorância àcerca das freguesias que elegeram aqueles deputados, madeirense ofensivamente vernáculo, imagens degradantes de homens - que deveriam ser "sapiens" - desiquilibrados, veniais nos acordãos, direi mesmo quase irracionais.A minha gata Cesária tem melhores maneiras e comportamentos, mesmo se esfomeada. E não tem nada de burra ou de ignorante, no seu modus vivendi!

Já vai "cheirando" a Natal...


terça-feira, dezembro 02, 2008

JÁ VIRAM A LUA HOJE ?


Pergunto-vos, porque dois pontos brilhantes se sobrepunham ontem na lua e hoje estão mais afastados. É um fenómono raro e os pontos não são nem mais nem menos que Júpiter e Vénus, em Sagitário. No século IV Antes de Cristo deu-se idêntico acontecimento, só que a Lua estava em Touro. Digam-me lá, agora, senão vale a pena andar de nariz no ar e aluada?

DATAS

01 DEZEMBRO - Celebrámos 1640, a corrida dada aos espanhóis. Hoje, quase todos os produtos lácteos são espanhóis, material escolar dividem a meias com os chineses, enfim, salva-se o feriado.
Dia Internacional contra a SIDA (HIV). De positivo as análises passarem a ser gratuitas e confidenciais. Negativa a taxa de incidência em Portugal, sempre a subir.

02 DEZEMBRO - Celebram-se 200 anos da "abolição" da escravatura. Nunca houve TANTA escravatura no Mundo...
Dia Internacional contra a Diferença. Sugiro que se mude para DIA INTERNACIONAL CONTRA A INDIFERENÇA.

W. BUSH
Li, num dia da semana passada, que o palerma do W.Bush tinha poupado a vida a dois perús. Isto passa-se num país menor, porque ainda vigora a pena de morte para seres Humanos.

domingo, novembro 30, 2008

TABACARIA - Alvaro de Campos




Fernando António Nogueira Pessoa




13.06.1888-30.11.1935








Nada posso dizer sobre Fernando Pessoa. Pessoa sente-se, vive-se.


Deixo-vos "Tabacaria", para mim o mais perfeito dos poemas.


Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a por umidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Gênio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho gênios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora gênios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta,
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistamos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordamos e ele é opaco,
Levantamo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folha de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, em rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente
Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-me como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o Dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olho-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, eu deixarei os versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?)
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma conseqüência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o; é o Esteves sem metafísica.
(O Dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus, gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o Dono da Tabacaria sorri

sexta-feira, novembro 28, 2008

TRANSITORIEDADE



A lembrança da Morte é como uma cascata,
em queda permanente
e não pode ser sustida.
Temos a Eternidade por fazer,
é a nossa impermanência que o diz.
Deus é tempo,
tempo é espaço,
espaço é vida.
E a Morte é só a ausência das coisa físicas.

(no dia em que perdi mais uma Amiga, no tempo físico das coisa)
28Novembro2008

LOUCOS E SANTOS - Oscar Wilde


Relembrando:

Oscar Wilde 16.10.1854 / 30.11.1900

Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril.





quinta-feira, novembro 27, 2008

Apresento-vos:Jerome Murat, um Mestre

Experiência?Quem a tem se a todo o momento tudo se renova...


Num processo de seleção da Volkswagen, os candidatos deveriam responder a
seguinte pergunta: "Você tem experiência?" A redação abaixo foi desenvolvida
por um dos candidatos. Ele foi aprovado e seu texto está fazendo sucesso, e
ele com certeza será sempre lembrado por sua criatividade, sua poesia, e
acima de tudo por sua alma.
REDAÇÃO VENCEDORA:



Já fiz cosquinha na minha irmã só pra ela parar de chorar, já me queimei
brincando com vela. Eu já fiz bola de chiclete e melequei todo o rosto, já
conversei com o espelho, e até já brinquei de ser bruxo. Já quis ser
astronauta, violonista, mágico, caçador e trapezista. Já me escondi atrás da
cortina e esqueci os pés pra fora. Já passei trote por telefone. Já
tomei banho de chuva e acabei me viciando. Já roubei beijo. Já confundi
sentimentos. Peguei atalho errado e continuo andando pelo desconhecido. Já
raspei o fundo da panela de arroz carreteiro, já me cortei fazendo a barba
apressado, já chorei ouvindo música no ônibus.
Já tentei esquecer algumas pessoas, mas descobri que essas são as mais
difíceis de se esquecer. Já subi escondido no telhado pra tentar pegar
estrelas, já subi em árvore pra roubar fruta, já caí da escada de bunda. Já
fiz juras eternas, já escrevi no muro da escola, já chorei sentado no chão
do banheiro, já fugi de casa pra sempre, e voltei no outro instante. Já
corri pra não deixar alguém chorando, já fiquei sozinho no meio de mil
pessoas sentindo falta de uma só. Já vi pôr-do-sol cor-de-rosa e alaranjado,
já me joguei na piscina sem vontade de voltar, já bebi uísque até sentir
dormentes os meus lábios, já olhei a cidade de cima e mesmo assim não
encontrei meu lugar. Já senti medo do escuro, já tremi de nervoso, já quase
morri de amor, mas renasci novamente pra ver o sorriso
de alguém especial. Já acordei no meio da noite e fiquei com medo de
levantar.
Já apostei em correr descalço na rua, já gritei de felicidade, já roubei
rosas num enorme jardim. Já me apaixonei e achei que era para sempre, mas
sempre era um "para sempre" pela metade. Já deitei na grama de madrugada e
vi a Lua virar Sol, já chorei por ver amigos partindo, mas descobri que logo
chegam novos, e a vida é mesmo um ir e vir sem razão. Foram tantas coisas
feitas, momentos fotografados pelas lentes da emoção, guardados num baú,
chamado coração. E agora um formulário me interroga, me encosta na parede e
grita: "Qual sua experiência?". Essa pergunta ecoa no meu cérebro:
experiência... experiência... Será que ser "plantador de sorrisos" é uma boa
experiência? Não! Talvez eles não saibam ainda colher sonhos! Agora gostaria
de indagar uma pequena coisa para quem formulou esta pergunta: "Experiência?
Quem a tem, se a todo momento tudo se renova?"


(origem:net)

quarta-feira, novembro 26, 2008

I Believe I can Fly...(para descontrair)

C H O V E





Chove.

O plaino imenso canta,

Se encharca e escorre


Enquanto a chuva dança.


Chove.


Num alongado permanente


Que se esvai e morre,


Como gente.


Chove,


Nascida do céu perdida no chão,


Transparente, fria,


Em doação.


Chove


E a chuva é vida


Que cria, recria.


A benção jorrada


De Divina mão.


E quando assim chove


Há sol, alegria,


No meu coração.

terça-feira, novembro 25, 2008

Eça de Queirós - 25 Nov 1845








Nascido a 25/11/1845, José Maria de Eça de Queirós morre em Paris a 16/08/1900. Acometido de grave doença, já em fase terminal, procura especialistas e mudança de ares, primeiro na Riviera francesa, em Biarritz, depois passa aos Alpes suiços, especialmente Lucerna. Regressado à pressa a Paris, aqui vem a falecer em 16 de Agosto de 1900, na casa de Neuilly.A 17 de Setembro os seus restos mortais são transladados e sepultados em Lisboa




Sem dúvida que a escrita de Eça é, ainda hoje, actual. O seu fino sentido de humor, a acutilância de espírito mordaz, a sagacidade política e a forma genial de escrita, dão-nos momentos mágicos de leitura, dão-nos figuras ímpares que ainda hoje "vivem". O conde Alípio Abranhos, uma inteligência, todo testa, "era destes sábios espíritos que nunca se arriscam na estrada da vida sem irem bem amparados da esquerda e da direita, sem alguém que os alumie adiante, e alguém que por trás os proteja das feras imprevistas."


Deixo-vos o convite: LEIAM EÇA




domingo, novembro 23, 2008

Para a minha AMIGA ZÉ



MANDEI PARAR O VENTO PARA TI....




Mandei parar o vento para ti,


Para que não tivesses medos infundados,


Para que mergulhasses nos meus olhos,


Serenos,

Mandei parar o vento para ti.

A tua mão tocou a minha mão,


Num arrepio,

Com a força intransponível, rarefeita,


De momentos ansiosos, libertados,


Na simbiose perfeita,


E mandei parar o vento para ti.


Para que não tivesses medos,


Infundados,


Para ti, só para ti,


Mandei parar o vento.



UMA JANELA AZUL, POR MARTE




Tarde de domingo insonsa, insonsa e inútil, prolongada, como tantas as que já me aconteceram na vida.


Encosto-me à janela onde a claridade, sem pudor, empurra um sol quente. Olho a paisagem, repetidamente olho a paisagem, onde céu e mar são a simbiose perfeita, sem fronteira, num azul puxado de lustro, dorido de tanta cor. As terras negras, vulcânicas, acentuam-no e o espírito cansado, impotente, foge-me para Marte. Marte, onde vivi anos sem calendário, sem festas, memórias, onde tudo é igual e diferente e se desconhece o contraste.


Humanidade diversa, com os desejos e frustações marcianos e que eu tanto quereria ajudar! Um só azul me pediam – um só azul para Marte! Tentei encontrar laivos verdes e amarelos para operar o milagre...Impossível.


E naquele mundo sem cor nenhuma, de manhãs sem alvoradas e noites descoloridas, um só desejo: azul. Ironia, pois até a caneta azul que sempre me acompanha desaparecera!


Olho o mar num desafio imenso como se a força do meu pensamento vencesse vácuos, distâncias imensuráveis, temendo trair uma vez o segredo confiado.


Famílias domingueiras passam alegres, despreocupadas da minha janela.


Um miúdo gorducho chora e abana o braço da mãe. Na outra mão um imenso balão azul – AZUL – dança no tempo. A mãe, como todas as mães de domingo, acaba por ceder e dá-lhe a guloseima escondida.


Num repente, em que a avidez o distrai, o balão foge, ondula subindo, azul sobre azul.


Choram-me os olhos e a alma, pedindo que suba, numa prece que eu nunca usei, suba direito e seja UM AZUL PARA MARTE.

N- "invente un final para el cuento de José Saramago – Um azul para Marte" – In: Foro-I congresso tecnologias Y transformación del empleo – Abril 2002. (Divulgado na Net)

quinta-feira, novembro 20, 2008

NÃO SEI O TEU NOME


Não, ainda não sei o Teu nome!

Uns chamam-Te Deus, Senhor, Todo Poderoso, Mestre,

Outros dizem-Te Filho, Pai, Amigo

Companheiro, também.

E eu digo-Te: ENTÃO?

Olhando todo o Teu poder e a minha insignificância,

Só posso estender-Te as mãos

para que recolhas os nadas

Muito além de mim...

terça-feira, novembro 18, 2008

Carinho de Deus

http://www.youtube.comhttp://www.youtube.com/watch?v=I2P5LV6-xWg/watch?v=I2P5LV6-xWg

O MICKEY faz hoje 80 anos


Foi a 18 de Novembro de 1928 que o nosso Mickey se estreou no cinema no filme "Steamboat Willie".

Mas a banda desenhada lida e a TV é que lhe conferiram o sucesso e tornaram vedeta amada.


Ao olhar a animação que hoje se faz na TV para as nossas Crianças, das figuras sem sentimentos, dos gestos violentos e bélicos, sinto uma ternura e saudade imensas das animações da Disney. De ver as flores a cantar, os pássaros e as folhas em bailados clássicos, a própria música era a música clássica que Mickey maestro comandava com sabedoria, de ver as gotas de chuva, transparentes, gordas, sensuais, escorrer pelo cenário...


Parabéns ao Mickey e a todos os que tiveram e têm a feliz sorte de o ter por companheiro.
Há mais Ratos famosos, e não quero esquecê-los, o Toppo Giggio, o Speedy Gonzalez, temos os ratinhos dos castelos dos contos de fadas, o contemporâneo Ratatui mas, há na verdade um dito que eu não percebo e aqui, agradeço que se alguém sabe mo explique, porque é que se diz a um cobarde "és um rato ou um homem"?

segunda-feira, novembro 17, 2008

RATIO ATQVE INSTITVTIO STVDIORVM









DOCUMENTO DO SEC XVI






"Nada deve ser mais importante nem mais desejável (…) do que preservar a boa disposição dos professores (…). É nisso que reside o maior segredo do bom funcionamento das escolas (…)."



"Com amargura de espírito, os professores não poderão prestar um bom serviço, nem responder convenientemente às [suas] obrigações."





Recomenda-se a todos os professores um dia de repouso semanal: "A solicitude por parte dos superiores anima muito os súbditos e reconforta-os no trabalho."





"Quando um professor desempenha o seu ministério com zelo e diligência, não seja esse o pretexto para o sobrecarregar ainda mais e o manter por mais tempo naquele encargo. De outro modo os professores começarão a desempenhar os seus deveres com mais indiferença e negligência, para que não lhes suceda o mesmo."



Incentivar e valorizar a sua produção literária: porque "a honra eleva as artes."




"Em meses alternados, pelo menos, o reitor deverá chamar os professores (…) e perguntar-lhes-á, com benevolência, se lhes falta alguma coisa, se algo os impede de avançar nos estudos e outras coisas do género. Isto se aplique não só com todos os professores em geral, nas reuniões habituais, mas também com cada um em particular, a fim de que o reitor possa dar-lhes mais livremente sinais da sua benevolência, e eles próprios possam confessar as suas necessidades, com maior liberdade e confiança. Todas estas coisas concorrem grandemente para o amor e a união dos mestres com o seu superior. Além disso, o superior tem assim possibilidade de fazer com maior proveito algum reparo aos professores, se disso houver necessidade."



"I. 22. Para as letras, preparem-se professores de excelência






Para conservar (…) um bom nível de conhecimento de letras e de humanidades, e para assegurar como que uma escola de mestres, o provincial deverá garantir a existência de pelo menos dois ou três indivíduos que se distingam notoriamente em matéria de letras e de eloquência. Para que assim seja, alguns dos que revelarem maior aptidão ou inclinação para estes estudos serão designados pelo provincial para se dedicarem imediatamente àquelas matérias – desde que já possuam, nas restantes disciplinas, uma formação que se considere adequada. Com o seu trabalho e dedicação, poder-se-á manter e perpetuar como que uma espécie de viveiro para uma estirpe de bons professores.



II. 20. Manter o entusiasmo dos professores






O reitor terá o cuidado de estimular o entusiasmo dos professores com diligência e com religiosa afeição. Evite que eles sejam demasiado sobrecarregados pelos trabalhos domésticos."



Ratio Studiorum da Companhia de Jesus (1599).

domingo, novembro 16, 2008

do filme Casablanca - "As time goes by"


CARTA QUE NINGUÉM VAI LER




Este título não é uma derrota. É, tão-somente, a constatação da prepotência ainda existente, da falta de mudança de tempos e, sobretudo, de mentalidades.

Celebrou-se a 15 de Novembro o DIA MUNDIAL CONTRA A VIOLÊNCIA SOBRE AS MULHERES.

Não vi nenhum político, nenhum dirigente responsável, nenhum membro da Igreja comentar ou exercer advertência. Até que na 1ª leitura deste Domingo de celebração Eucarística o autor exige da Mulher a virtuosidade, o trabalho, a perfeição. E a reflexão leva-me à analogia.
Retiro a palavra Mulher e escrevo Igreja, retiro Igreja e ponho Homem e acabo reflectindo na Humanidade social em que nos inserimos.

Na célebre, porque infeliz na minha óptica, carta aos Efésios 5 que ainda hoje é lida e não explicada nas Igrejas deste Mundo, o Autor diz: “as mulheres sejam submissas a seus maridos como ao Senhor, pois o marido é a cabeça da mulher…” Dia Internacional contra a violência sobre as Mulheres! Hoje todos sabemos bem, é notório, que são as Mulheres a cabeça, a bússola da casa, a empregada, a Mãe, conjugue, dona de casa, a essência da simples existência. E, quantas vezes, estas tarefas lhe são pedidas não com carinho mas com prepotência.

É urgente um elo de ligação entre o que se diz e o que se faz. É urgente deixar a “preguiça estéril” que é tão comum e tão bem aceite e aprender que é nos pequenos gestos, nos mais pequenos gestos, que se afirma a Solidariedade, o Respeito, o Amor.

sábado, novembro 15, 2008

Andei eu enganada mais de 40 anos....


Quando pensava que "O último dos moycanos" tinha sido o último, leio agora a notícia e cito:" Cantor português Moycano vai participar no filme NINE, baseado num musical com o mesmo nome, no qual participam entre outros, Nicole Kidman, Javier Bardem e Penelope Cruz.O cantor está a promover em Londres o albúm "Dawn"...."

Acontece cada uma !

HÁ DIAS ASSIM




Vejo-te triste e isso dói-me. Não que eu não tenha, também, momentos de escuridão. Contudo, vendo-te triste é diferente. Não, não me sacudas porque sou teimosa. Conheço-me e conheces-me. Vá, vem daí, prometo-te mundos novos que nunca olhaste pelos meus olhos e olha que já não vejo tão bem assim... Descansa, nada se perde com a clarividência de espírito. Vem, não sejas chata, vem daí! Vá lá, dá cá a mão que a paciência também se esgota.

O dia já se afasta e a paisagem aflita de luz chama o tempo de outono, nesta hora já palpável, quase viscoso. Invísiveis dedos tangem o vento e os pássaros apressam a procura do jantar.

Olha as ancas da colina, verdes, musgosas, onde poucas árvores friorentas ressalvam lamúrias.

Vês, vês como é bom habitar a paisagem, soprar o cansaço da vida e abraçar esta sugestão de crepúsculo ensanguentado? Cansou-te a liberdade de correr, de perseguir o vento e, ainda não viste o vento...

Agora terás na noite um sono de pássaro, quieto, com o equílibrio leve de penas arrumadas.

E eu, quase por osmose, prolongarei a tua tristeza.

sexta-feira, novembro 14, 2008

Madeirense falado...




Madeirense e mainada!
Mandem lá 1 cubano (continental) ler isto e perguntem se ele entendeu alguma coisa



Tava o vendeiro no paleio com o vadio do vilão quando ouviu uma zoada. Era a água de giro.
O buzico do levadeiro que vinha mercar palhetes à venda, vinha às carreiras e a fazer patifarias e a chungalhar os badalos da vizinhança pelo caminhe abaixe como um demoine.
Dá-lhe uma cangueira, trompicou nas passadas e empuxou o vilhão qué um cangalhe dum home.
Bate cas ventas no lanço e esmegalha a pucra. O vilhão dá-lhe uma reina vai a cima dele para lhe dar uma relampada, patinha uma poia. Ficou todo sovento.
O vendeiro dá-lhe uma rezonda por ele querer malhar num bizalho dum piquene. Vem o levadeiro, e, ao ver o vassola, que anda à gosma e a encher o pandulho à custa dos outros, a ferrar com o filho, fica variado do miolo e diz-lhe umas. O vilão atazanado, atremou mal e pensou que ele lhe tinha chamado de chibarro, ficou alcançado, deu-lhe uma rabanada e foi embora .
Todo esfrancelhado. O levadeiro ficou mais que azoigado mas lá foi desantupir a levada.
O piquene chegou a casa todo sentido, com um mamulhe. A mãe que é uma rabugenta mas abica-se por ele, ao ver ele todo imantado e a tremelicar das canetas, deu-lhe um chá que era uma água mijoca, pensando que canalha é mesmo assim, mas, como ele não arribava, antes continuava olheirento, entujado e da chorrica foi curar do bicho virado e do olhado roxo.
O busico arribou e até já anda a saltar poios de bananeiras na Fajã.
É assim que se fala na Madeira!! ou se falava!!!!
Uma boa semana,
Assim se Fala em Bom Madeirense ,se não sabem o que é ser madeirense.


BASTA OUVIR O ALBERTO JOÃO JARDIM (sem palavrões, claro!)